Série Governantes: o momento de sair

Por Francisney Liberato

Eu aceito solenemente a voz do Parlamento e do povo e sinceramente espero que esta confusão seja resolvida. Park Geun-hye

Todos nós como seres humanos estamos sujeitos a mudanças, mas nem sempre queremos, desejamos ou aceitamos que as modificações ocorram de fato. Algumas situações surgem em nossas vidas de forma abrupta, a ponto de não termos tempo para nos organizar.

O povo sul-coreano desejou promover mudanças nos governantes da nação. Pela primeira vez na história eles elegeram uma mulher para ser a presidente daquele país.

Park Geun-hye foi eleita a 11ª presidente da Coreia do Sul. A mudança enfim havia chegado no país.

De linhagem presidencial, Park teve o seu pai como ditador do país no passado. Ela esteve no poder por quatro legislaturas consecutivas. Apesar de ter nascido em “berço de ouro”, a situação familiar dela foi trágica, uma vez que os seus pais foram assassinados.

Park significava a esperança para a Coreia do Sul, e ela era considerada uma das melhores e mais influentes governantes daquela nação. Foi eleita, em 2012, com a maior votação da história democrática do país.

A presidente transmitiu aos seus cidadãos uma mensagem de “nova era de esperança”, cujos objetivos se ancoravam na “prosperidade econômica, felicidade do povo e enriquecimento cultural”.

Com apoio do povo, a presidente possuía todas as condições de fazer um governo em prol do país e da população. Ela poderia ter deixado o governo com a cabeça erguida e com a alma repleta de gratidão por ter feito o seu melhor para aquela nação, pois representava a mudança, todavia, uma mudança inesperada ocorreu em sua vida.

Infelizmente, Park foi condenada por cumplicidade em um caso de tráfico de influência e fraude protagonizado por uma amiga íntima, além de ter interferido em assuntos de Estado sem possuir cargo público. As ações de Park “constituíram um grave atentado ao espírito da democracia e ao Estado de Direito”, declarou o presidente da Corte Constitucional, Lee Jung-Mi.

Ela foi derrotada na Assembleia Nacional, como também na Corte Constitucional judicial, sendo assim, o seu processo de impeachment foi confirmado.

Esta foi a primeira vez que um chefe de Estado da República da Coreia foi destituído de seu cargo, ainda mais aquele em que povo depositou confiança e perspectivas de mudanças.

A saída de Park Geun-hye foi desastrosa e humilhante, a mudança ocorreu de forma abrupta, antes mesmo de terminar o seu mandato.

Diante da situação e do caos daquele país, a presidente declara uma confissão pertinente: “Eu aceito solenemente a voz do Parlamento e do povo e sinceramente espero que esta confusão seja resolvida”.

A mensagem dita pela presidente serve de base para nossa reflexão, uma vez que se estamos atrapalhando o crescimento, o desenvolvimento econômico, a sustentabilidade do país, muitas vezes, é necessário recuar, desistir, “abrir mão” de algumas benesses em prol da nação.

No Brasil, Fernando Collor de Mello representava o novo, a modernidade, um grande orador, um currículo extenso, foi o presidente mais jovem da história do país, eleito aos 40 anos de idade pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e outros fatores positivos que recaíram sobre ele.

De modo infeliz, corrompeu-se e se tornou o primeiro presidente a ser afastado temporariamente por um processo de impeachment do Brasil e da América latina, com a perda dos direitos políticos.

Ainda, no Brasil, Dilma Rousseff foi a primeira mulher presidente do país, que visava continuar com a política de governo do Partido dos Trabalhadores.

No seu primeiro mandato, foi eleita em 2010 contra o seu opositor José Serra. Foi a 6ª eleição presidencial do país, após a promulgação Constituição Federal de 1988, sendo a primeira mulher a ocupar este posto no Brasil.

Na 7ª eleição presidencial do país, após a promulgação Carta Magna de 1988, a presidente Dilma foi reeleita com mais de 54 milhões de votos.

Entretanto, Dilma Rousseff, semelhantemente ao que ocorreu com a primeira presidente da Coreia do Sul e Fernando Collor, teve o seu mandato interrompido.

O processo de impeachment da presidente Dilma iniciou-se em 2 de dezembro de 2015 e se encerrou em 31 de agosto de 2016, uma duração de 273 dias. Ela sofreu a cassação do mandato, mas sem a perda dos direitos políticos, devido ao cometimento de crimes de responsabilidade, por pedaladas fiscais e por créditos suplementares sem autorização legislativa.

A República Federativa do Brasil é maior do que todos os indivíduos que vivem neste país. Temos que encarar e entender que os poderes e as instituições são permanentes e não temporários. Um governo sai, outro entra, isso é um ciclo normal que ocorre em qualquer nação, contudo, infelizmente, existem situações que ocorrem na vida de governantes que a melhor solução é sair do posto.

Ser um governante é muito difícil e complexo, mas aqueles que desejam lidar com essa labuta devem ter a consciência de que a sua vida deve ser imaculada, e buscar fazer o bem ao povo, que tanto sofre e espera o melhor dos seus governantes.

Que os interesses dos que representam as nações sejam em prol de objetivos comuns, a chamada res publica que é uma expressão latina que significa literalmente “coisa do povo” ou “coisa pública”.

Que tenhamos governantes diligentes e zelosos com a coisa pública. Que os governantes façam mais e melhor pelo povo, e não para os seus interesses particulares, de suas famílias, ou dos seus amigos e aliados. Não desejamos novas mudanças súbitas, porém, se for do interesse público e de todos, que seja feito e que seja aceito!

Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador, Autor dos LivrosMude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência” e “A arte de ser feliz”.

http://www.francisney.com.br
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@francisneyliberato

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