O invisível convite à busca da nossa divindade

Por Vinícius Gonçalo Oliveira Bello

… e o mundo seguia dentro da sua caótica e conturbada normalidade, as pessoas se acotovelando pelas calçadas das grandes metrópoles, congestionamento de quilômetros e quilômetros e dentro dos automóveis descontrolados e irritadiços xingando a tudo e todos e blasfemando, nos comércios, indústrias e bancos os funcionários robotizados e condicionados seguiam hipnotizados pelas metas a cumprir, na vida acadêmica continuavam os professores a ensinar o conteúdo didático, enquanto alguns prosélitos continuavam dedicando mais tempo a catequizar seus alunos com suas ideologias…

No dia a dia das famílias a rotina tóxica e o automatismo seguia o roteiro de nos distanciar de nossos familiares e de nós mesmos, em um ritmo frenético em uma busca desenfreada pelo materialismo e consumismo, e uma necessidade quase incontrolável de estar em ambientes sociais sem realmente se fazer presente de corpo e alma…

Continuava a humanidade sua fuga da essência e busca vazia pelo efêmero, todos apressados e sem tempo para os entes queridos e, principalmente, para fazerem exames de consciência e se enxergarem como humanos que têm aspirações, lacunas emocionais, fragilidade, medo, dores camufladas e feridas não cicatrizadas…

De repente, eis que ressurge o Coronavírus – COVID 19, ele retornou revitalizado, mas a maioria deu de ombros e seguiu sua vida repleta do que é externo e distante do seu emocional e da espiritualidade. Em breve lapso temporal, a imprensa mundial começou a relatar o crescimento do contágio desse vírus que, em pouco tempo, diagnosticou-se o caso como pandemia de Coronavírus. Quanto mais casos de contaminação, internação e mortes propalados em profusão pela imprensa, mais o medo, pânico, individualismo, egoísmo, a histeria, e outros comportamentos nada nobres se manifestavam na população…

Atentei-me e observei o panorama no Brasil e perplexo vi as pessoas que afirmavam ter fé e que acreditavam na divindade de Jesus, e reconheciam Deus como soberanamente bom e justo, o criador de Tudo que existe, terem uma espécie de amnésia espiritual. Restringimos, nesse espectro textual, a observação somente dos cristãos em razão do Brasil ser um país notadamente cristão, não desconsiderando e nem diminuindo o Budismo, Islamismo, Hinduísmo, Sikhismo e outras religiões. Mas, o fato é que muitos cristãos ficaram aflitos, aturdidos, histéricos, insensíveis a dor do próximo e com extremado medo de se contaminar e de morrer, contrariando qualquer manifestação de fé robusta…

E pensar que foi uma força invisível, um agente infeccioso diminuto, desprovido de metabolismo independente e que se replica somente no interior de células vivas hospedeiras, que colocou à prova, avaliou e paralisou, momentaneamente, muitos cristãos. Cabe a cada um de nós uma profunda reflexão a respeito da nossa fé e da nossa vivência ou não da pedagogia do amor exemplificada por Jesus… nos supermercados o egoísmo se mostrou insaciável, a insensibilidade e a indiferença de alguns empresários inflacionaram o preço do álcool gel e outros insumos, aproveitando o total descontrole de muitos e do egoísmo de alguns cristãos consumistas que pensaram somente em si, políticos se aproveitaram e ainda se aproveitam com leviandade e hipocrisia para aferir ganhos eleitorais e subir posições na escalada nada nobre pelo poder dos homens…

Uma porcentagem significativa se esqueceu de que Cristão de boa vontade não se deixa desanimar em plena marcha,  persiste com resignação e alegria  seguindo as pegadas  de Jesus, tem convicção e entusiasmo na sua fé, buscando honrosamente continuar servindo e se aperfeiçoando  na Seara Amorosa do Cristo, com extrema paciência e indulgência vence a si mesmo e se torna invencível na lida da vida, não importando as circunstâncias e os desafios. Muitos foram os convidados para o banquete celestial, porém, poucos se sentaram à mesa para degustar dos divinos alimentos da Alma…

É chegado mais um, dentre outros momentos derradeiros, da separação do joio do trigo… Não há mais tempo para sermos indiferentes e letárgicos diante de aflições e chagas de necessitados,  a dor do próximo tem que ser sentida por um cristão, pois a humanidade é nossa família, somos todos filhos de um mesmo e único Deus. Adubemos com o alimento do Evangelho os nossos corações áridos e invadidos pelas ervas daninhas do egoísmo, orgulho, vaidade, vitimismo e conivência com o que não reflete amor e paz!

Não nos esqueçamos do que o Rabino da Galileia nos afirmou: “vós sóis deuses” (João 10:34). Essa afirmativa de Jesus geralmente é acompanhada do seguinte complemento: “podem fazer o que eu faço e muito mais…” (João 14:12).

O Coronavírus é um convite para o renascimento do cristão que dorme nos labirintos de nossas almas, para o despertar do sentimento de gratidão e a alegria pelas curas alcançadas, pelo pão que nos alimenta, pela dádiva que é nascer em um país sem catástrofes naturais e com as quatro estações do ano bem definidas, por tudo que temos e conquistamos e pelas bençãos de Jesus que dissipa qualquer sentimento de tristeza e melancolia que queira nos fazer companhia e nos paralisar.

Estamos no crepúsculo celestial para nossas colheitas, cada um foi e é livre para plantar e semear o que bem entender, pois a misericórdia de Deus nos concede o livre-arbítrio, porém seremos obrigados a colher os frutos de nossas ações e omissões. Por isso, semeemos algumas sementes com doses generosas do Amor Incondicional – a mãe de todas as virtudes, e adubemos nossos corações com a sua filha mais pródiga, a consoladora Caridade!

O momento é auspicioso para que a Paz do Cristo, dormente em nossas essências, desperte e floresça no íntimo de cada um, fazendo morada em nossos corações e inebriando nossos lares com a divina fragrância do Cristo!

Vinícius Gonçalo Oliveira Bello
Vini Bello
Servidor Público Estadual da Secretária de Estado de Saúde
Graduado em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo
Pós Graduado em Saúde Pública e em Gestão da Informação

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