Então, qual é a solução?

Por Filipe Gimenes de Freitas

Diante das inúmeras mensagens que recebemos diariamente sobre a pandemia do COVID-19 e a crise econômica mundial, além do bombardeamento de diferentes mídias relatando os problemas ocasionados ao redor do mundo, a pergunta mais recorrente que nos temos feito nos últimos dias é: ENTÃO, QUAL É A SOLUÇÃO?

Muitos de nós começamos a ficar fartos de ver tanta notícia ruim sobre o mesmo assunto e, sem dúvida nenhuma, a impressão é que ainda pode piorar muito. Porém, a todos aqueles que creem numa Inteligência Suprema que governa o universo, da mesma forma que existe um mal, há também um remédio ideal para combatê-lo.

A sabedoria universal nos ensina que nossos valores servem tanto para uma situação micro quanto para uma situação macro, ou seja, uma forma de agir utilizada por nós em nossa família deveria ser com a nossa comunidade ou com qualquer pessoa do mundo.

Por exemplo: Se somos pessoas justas, essa justiça deveria pautar a nossa relação com quem quer que seja ou com quantos forem, porque se mudamos a essência do nosso proceder dependendo da pessoa, então isso não se chama mais justiça, mas adentramos ao grupo daqueles que se utilizam de dois pesos e duas medidas.

Por isso, a partir do momento que compreendemos que valores morais e princípios éticos são absolutos e precisam ser utilizados de forma imparcial, podemos comparar o nosso problema mundial a uma pequena embarcação que atravessa uma tempestade.

Ora, quando uma embarcação está em alto mar e passa por uma maré de tempestade, a primeira coisa que a tripulação têm certeza é de que todos se salvarão juntos ou todos naufragarão, porque, claramente, não tem como cada um pensar em si, haja vista estarem literalmente no mesmo barco.

Então, a primeira lição que precisamos trazer de uma situação micro para uma macro é saber que, literalmente, todos estamos num mesmo barco chamado Terra e existe uma engrenagem invisível que liga todas as pessoas, desde o ar que respiramos, a comida que comemos, os medicamentos que necessitamos até outras infindáveis coisas que sequer nos lembramos, mas que fazem com que esse maquinário gigantesco do planeta caminhe de forma harmônica.

Há pouco tempo tivemos essa exata noção quando os caminhoneiros do nosso país fizeram uma paralisação dos dias 21 a 30 de maio de 2018, ou seja, em apenas 9 dias de interrupção de um serviço essencial, o nosso país tornou-se um caos a ponto de todo mundo ver que, sem dúvida, existe uma engrenagem invisível que faz tudo caminhar.

Além disso, há quase quatro meses o surgimento de um vírus numa longínqua e desconhecida cidade da China parecia muito distante do Brasil, só que hoje temos a certeza de que o problema não era só dos chineses.

Por isso, quando estamos passando por uma tempestade em alto mar, todos, sem exceção, precisam se ajudar. Portanto, o dono da embarcação, o comandante ou quem mais estiver de carona ou a passeio no barco precisarão, realmente, pegar no remo e fazer força para sair da tempestade.

Nesses momentos, não existe cargo, hierarquia ou poder, pois a lei de sobrevivência nos mostra que não há ninguém melhor e igualam-se as pessoas para que todas façam a sua parte, ou elas se ajudam, ou todo mundo afunda.

Então, aprendemos mais uma lição: Sem SOLIDARIEDADE e FRATERNIDADE, o barco vai virar! E, até agora, infelizmente, não entendemos bem o que é solidariedade e nem fraternidade.

Muitos de nós estamos em oração e vibração pelo mundo e é claro que são sempre válidos bons pensamentos e boas energias, no entanto, lembremo-nos das palavras de Madre Teresa de Calcutá: “As mãos que ajudam são mais sagradas do que os lábios que rezam”.

Só de vibrações e boas intenções a maré vai virar o nosso barco chamado Terra, então precisamos sair de nossa posição passiva e confortável de dirigentes, autoridades, donos de algo, líderes religiosos, chefes de alguma coisa ou qualquer outra denominação existente e ver que se não arregaçarmos as mangas e começarmos a remar juntos, não precisamos ser proféticos para saber que quando tivermos muito perto do redemoinho que nos dragará, perderemos o controle do barco.

Precisamos agradecer a Deus que já tivemos os exemplos da Itália e da Espanha e, portanto, podemos tomar decisões coletivas que demonstrarão se estamos agindo como uma fraternidade ou ainda com a visão egoísta e ilusória de que existem inúmeros barcos independentes chamados por cada um de lar.

Ora, quem ganha mais, nesse momento, precisa partilhar e isso se estende à iniciativa privada e ao poder público. Estamos num momento de renunciar ao nosso supérfluo e olhar ao lado e ver que muita gente sequer tem algo para colocar à mesa. Não adianta mais vibrarmos pelos dirigentes das nações como se a culpa fosse de poucas pessoas que foram colocadas por nós para nos dirigir.

Cada segmento da sociedade precisa repensar seus conceitos e ver que do alto da sua suposta cabine e bem longe do porão onde estão os remadores, é muita infantilidade achar que a tempestade não vai lhe alcançar.

A exemplo de uma embarcação à deriva, de forma fraternal e solidária, os suprimentos são contados e partilhados para que todos possam se alimentar e esperar o resgate passar. No entanto, na nossa embarcação real, é como se cada um quisesse ficar preso na sua própria cabine, isso pode dar certo por uns parcos dias, mas quando a fome bater forte, aí veremos se o resto da tripulação ficará passiva aguardando a chegada do resgate.

O Nosso Senhor Jesus resumiu toda a sua missão crística na Lei de Amor, ou seja, há dois mil anos o egoísmo era a chaga da humanidade, pois cada um estava preocupado com o seu e Ele nos deu o exemplo de partilhar o pão, de renunciar a si mesmo e de dar aos pequeninos o que necessitavam.

E, agora, o que estamos fazendo? Estamos partilhando, pelo menos, o que nos sobra? Estamos, de forma coletiva, nos empenhando para que superemos todos juntos a pandemia? O vírus é um instrumento perfeito para provar se somos egoístas ou solidários; fraternos ou individualistas.

Até agora, temos visto muita lamúria e muitas orações, mas o que Deus quer realmente de nós, nesse momento, é mais ação; porque amar da boca para fora é fácil, o difícil é sermos caridosos; é colocarmos a mão na massa e também no nosso próprio bolso.

A exemplo do jovem que queria seguir o Cristo, após responder que cumpria todos os mandamentos, ele fez a importante pergunta ao Mestre: “que me falta ainda?” Então Jesus poderia ter dito a ele, faça uma oração ou vibre por todos, mas ao contrário disso, o Nazareno arrematou: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me.” (Mateus 19:21). No entanto, o jovem retirou-se triste, porque tinha muitas propriedades.

Sendo assim, agora de forma coletiva, somos convidados não a vender tudo que temos, mas apenas partilharmos do que nos sobra, e será que vamos novamente ficar tristes pelos nossos bens?

A provação é coletiva, mas a salvação é individual, porque Deus é o Justo dos Justos. Que cada um de nós possa pensar muito bem nas escolhas que fará nos próximos dias, porque serão fundamentais na caminhada evolutiva de cada filho do Nosso Pai Criador. O recenseamento já começou e por mais que ninguém possa estar nos vendo, O Supremo Senhor da Vida sabe se cada um de nós está se omitindo, fazendo ou se recusando.

Filipe Gimenes de Freitas é palestrante sobre o evangelho, espiritualidade e autor do livro “Cristão do Terceiro Milênio”. É presidente do Instituto Cisco de Deus que atende crianças carentes em Mato Grosso.

Um comentário sobre “Então, qual é a solução?

Deixe uma resposta para Valéria Maganha Manduchi Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s