O pensamento sistêmico

Por Coltri Junior

Um dos grandes desafios dos tempos atuais é, mesmo num mundo de tantas informações, selecionar e qualificar as que possam nos dar uma visão integrada de mundo.

A ciência tradicional, principalmente a baseada no positivismo, nos preparou para uma visão reducionista, “escopista”, de modo a termos que, via de regra, isolarmos determinadas variáveis, olhando-as como se fossem constantes. Na educação não foi diferente. O ensino disciplinar rompeu os laços filosóficos (que não tem nada a ver com devaneios), fragmentando a aprendizagem. A cada professor que entra na sala, é preciso mudar a “chave” cerebral para a área a ser estudada. Mesmo a busca pela interdisciplinaridade tem falhado, porque, como pela própria concepção, as disciplinas se mantêm. O que muda é que há uma busca para uma interligação entre elas, mas não, efetivamente, uma fusão na busca por um todo único. De qualquer maneira, não deixa de ser um avanço.

Quando vemos o mundo de forma reduzida, as discrepâncias de entendimento se acentuam, não pela diversidade no jeito de ver as coisas, que é salutar, mas pela incapacidade de enxergar aquilo que é. Quando há formas diferentes de entendimento, mas a busca pelo entendimento mútuo é compartilhada, é muito válido. Quando há uma incapacidade de entendimento conceitual e evidências consistente são ignoradas, o processo de aprendizagem migra para a radicalização, causando cegueira.

Nas empresas isso não é diferente. Não à toa, no fim dos anos de 1980 e início de 1990, surgiram dois grande estudos que, se aplicados, podem provocar mudanças consistentes nos resultados das empresas, em todos os âmbitos. Um deles é aplicado ao planejamento estratégico, o Balanced Scorecard (Norton e Kaplan), ou seja, objetivos estratégicos balanceados e com nexo causal entre as quatro principais áreas administrativas, sendo elas: financeira, clientes, processos e pessoas (aprendizagem e crescimento). Por meio de seus indicadores, é possível estudar os impactos que uma decisão tomada em uma área pode causar nas outras e, portanto, no resultado efetivo daquela tomada de decisão.

O outro estudo é a V Disciplina, publicado por Peter Senge. A quinta disciplina é o pensamento sistêmico. E, segundo o autor, é conseguido por meio de 4 outras práticas interligadas, que são: domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada e aprendizagem em equipe.

O que são elas? Como se relacionam? Como utilizá-las? Trataremos nos próximos artigos.

Prof. Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos.

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