Aquilo que te agrada, te engana

Por Maria Carolina Borges Dal´Magro

Nem sempre o sentimento de satisfação é, de fato, o caminho para a evolução. O prazer é a cegueira do mundo.

Nem sempre gostamos de ouvir umas verdades, não é mesmo? Na maior parte das vezes nos sentimos incomodados ou até mesmo despidos de nossa própria imagem, seja ela real ou fictícia. A verdade é que, nunca estaremos preparados para olhar com prazer o nosso reflexo no espelho, como de fato ele é.

O tema em questão é um questionamento interessante e que se tornou latente para mim, a partir de uma longa reflexão sobre o comportamento humano, e que explica a motivação de algumas reações equivocadas geradas dentro dos relacionamentos interpessoais.

Sabe-se que, cientificamente o ser humano é um animal racional, que tem capacidade de escolha, inteligência e forma diferenciada de comportamento dos demais mamíferos, mas também é norteado por instintos, os quais geram, inconscientemente um padrão mental: A busca permanente por aquilo que traga satisfação, seja emocional, comportamental, espiritual, física, biológica ou profissional.

Essa busca contínua por aquilo que lhe satisfaça algum desejo, por vezes, restringe, parcial ou integralmente sua visão e o impede de possuir um alcance sobre o que de fato é necessário para o seu avanço pessoal e, também, sobre a veracidade e autenticidade das pessoas que os rodeia, podendo gerar futuras e dolorosas complicações na vida.

Há algumas “verdades”, que vem de pessoas mal-intencionadas, ou daquelas que acham que nasceram predestinadas a opinar sobre a vida alheia e, por isso, meu desejo é trazer para esta leitura uma análise sobre quais verdades ouvir e quais “verdades” refutar de nossa vida.

Num primeiro momento, vale mencionar que, o indivíduo inteligente emocionalmente, é aquele que conhece seus processos emocionais e instintivos, que compreende o alcance de suas qualidades e habilidades dentro do seu contexto social, mas que também, sabe ser honesto com aquilo que precisa ser melhorado em si mesmo, portanto, certamente saberá avaliar o que ouvir e a quem ouvir, e para isso compete renunciar a natural busca pela satisfação de ego.

Há alguns sinais que o ajudará a construir essa percepção. Por exemplo, quando alguém lhes disser aquelas verdades que incomodam, avalie quem é o agente ativo da mensagem e “quantas foram as colheres de sal que ele já comeu junto com você”. Essa frase, faz parte de um ditado popular muito comum entre os mais antigos e sabiamente tem a intenção de demonstrar que só conhecemos uma pessoa de verdade, quando ela é capaz de passar os piores momentos ao nosso lado. Após comprovar a veracidade da intenção do agente ativo, se atente com a mensagem dita, pois certamente poderá contribuir com o seu crescimento.

Por sua vez, muito cuidado com aqueles que o agrada, os famosos “bajuladores”, os quais geralmente mantem-se à espreita, atentos e sorrateiros, observando suas características e aptos a produzirem um relatório pontual e detalhado de sua personalidade, prontos a atacá-lo com enxurradas de elogios. Para tanto, suas estratégias não visam o interesse em contribuir ou ajudar, mas sim, de ganhar a sua confiança para conseguirem algum proveito próprio e especifico que, certamente, trará efeitos terríveis para sua vida, caso ousar mantê-los por perto.

Acredite, nem tudo aquilo que desejamos e achamos que é bom, é de fato bom para nós. Na maioria das vezes, o que fará bem para nossa vida, não é o que queremos e sim o que precisamos!

Um dos fatores que prejudicam na identificação da verdade real, é o excesso de autoconfiança. (Nós que nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne. (filipenses 3;3). Um bom exemplo dessa dificuldade é o papel do líder que, apesar de promover mudanças em seu ambiente de trabalho, serem engajados em ajudar o próximo e possuírem equilíbrio para dirimir os mais tensos conflitos, em sua maioria, são extremamente inacessíveis. A postura de controle sobre os outros, de autoridade delegativa e imponência, traz a falsa ideia de “perfeição” perante os demais, portanto, refutam qualquer análise de si mesmo. Entretanto o verso acima reitera a verdadeira instrução. Até o maior líder deste mundo (Jesus), mantinha-se humildemente aos pés do seu pai, longe de qualquer vaidade, o que lhe ajudava a absorver a orientação correta.

Só aprende aquele que consegue ouvir. (Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu. (Romanos 12:3). A humildade é um caminho bastante aconselhável a se seguir. Um exemplo sobre as verdades para as quais devemos dar a devida atenção, está na figura do pai ou da mãe dentro do contexto familiar, que por óbvio nos ama incondicionalmente, e para tanto, não nos agradará o tempo todo, e na maior parte das vezes, terão que manter uma postura firme, na busca de oferecer-nos a melhor educação, entretanto, passamos boa parte de nossa dependência, reclamando de nossos pais, por não nos agradar o tempo todo, e quando adultos, compreendermos que o amor na verdade nem sempre satisfará os nossos desejos, mas sobretudo, buscará nos direcionar para o caminho do bem.

Portanto, um conselho verdadeiro: Queira ao seu lado aqueles que compartilham com você a desafiadora tarefa que é o caminhar desta vida e que tem a coragem de dizer-lhe coisas que talvez você não goste de ouvir, mas que será necessário para o seu crescimento.

Uma das mais maravilhosas bênçãos de Deus, foi ter nos feito plurais e distintos uns dos outros e por isso nos completamos na medida em que nos relacionamos. Um dos propósitos de Deus para o homem aqui na terra está fundamentada nos relacionamentos. Por isso fuja das “verdades” que afagam o seu ego e atente-se às verdades ditas pelas verdadeiras pessoas.

Para finalizar, deixo uma parábola, muito interessante sobre a verdade e a mentira. Que diz assim:

Certa vez, a mentira e a verdade se encontraram. A mentira disse para a verdade:
– Bom dia, verdade.
A verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva e havia pássaros cantando. Ao ver que realmente tratava-se de um bom dia, respondeu à  mentira:
– Bom dia, mentira.
A mentira prosseguiu:
– Está calor hoje.
E a verdade, percebendo que a mentira estava certa pela segunda vez, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para um banho no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:
– Venha, verdade, a água está uma delícia.
Assim que a verdade, sem suspeitar, tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água,  vestiu-se com as roupas da verdade e foi-se dali.
A verdade, por sua vez, recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira. E por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar pelas ruas e vilas. E desde então, é por este evento que, aos olhos de muita gente, é mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade do que a verdade nua e crua.

Maria Carolina Borges Dal´Magro
Assessora Jurídica. Atuou na área criminal da 5ª Vara Criminal (efeitos gerais), 11ª Vara Criminal (audiências de custódia), 14ª criminal (cartas precatórias) todas de Cuiabá, 2ª Vara da Infância e Juventude (atos infracionais) e Vara Única de Poconé. Tribunal do Júri. Audiências admonitórias, justificação e instrução. Atualmente, atua como Assessora técnica jurídica da Presidência do Detran-MT (área correicional).

 

 

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