Efeito Mulher Maravilha

Coltri Junior

Já há tempos que se propaga a ideia de que o corpo fala. Até equivocadamente, na minha modesta opinião, fala-se em padrões definitivos de postura. Alguns são verdadeiros, como uma “cara amarrada”, por exemplo. Mas, ainda assim, pode ser que a pessoa tenha acabado de chupar limão. Definitivamente o corpo fala, cada um a seu modo; alguns, ainda, obedecendo certos padrões.

Dentro desses preceitos, o que ocorre é que, além do corpo se comunicar para fora, ele se comunica para dentro. Muitos de nossos gestos e feições são frutos de nossas configurações sinápticas (ligação entre nossos neurônios), que se materializam na forma como nos comportamos e nos comunicamos. Em caminho reverso, a forma como nos comportamos, também, reconfiguram essas ligações, proporcionando-nos momentos ativos de ódio ou amor, dor ou sanidade. Aqui, nós comandamos, independente do corpo. É o nosso Eu Superior agindo. No primeiro caso, há um comportamento passivo, já que a nossa configuração neural de momento, comanda nossas ações.

No artigo A regra dos 90 segundos, comento sobre os estudos da Dra. Jill B. Taylor, que nos mostra que os hormônios que comandam nossas emoções levam, no máximo, 90 segundos para saírem da nossa corrente sanguínea. Quando passamos 3 dias com raiva de alguém, significa que, a cada 90 segundos, disparamos o desejo de continuar com ódio. Por isso, podemos fazer ao contrário, também. Precisamos assumir o controle de nossas emoções. E, para isso, é preciso aprender a fazê-lo. Podemos, assim, lançar mão de gatilhos, até que o novo hábito possa fazer parte do nosso dia a dia.

Dentro desse contexto, a cientista social de Harvard, Amy Cuddy, por meio de seus estudos, e também de outros cientistas da área, nos fala sobre a importância dos comportamentos não verbais. Eles nos moldam. Dentre outros, um dos exemplos mais famosos que ela nos traz para termos uma sensação de força, sucesso e vitória (que moldará e direcionará nossas ações para isso), é a pose de poder da mulher maravilha (que o Super Homem também usa). Segundo as pesquisas, ficar de pernas entre abertas, corpo ereto, olhar para o horizonte e mãos abertas na cintura, provoca um aumento de 20% no nível de testosterona, elevando o estágio de poder sobre si mesmo. Ao mesmo tempo, diminui em 15% o nível de cortisol, responsável pelo estresse. É mais ou menos a pose que o Cristiano Ronaldo faz quando vai bater uma falta.

Assim, não custa experimentar. Sempre que estiver sozinho(a), teste fazer a pose por 30, 40 segundos. No mínimo, pelos disparos hormonais, você se sentirá bem melhor e com mais disposição e segurança. Pense nisso (e faça), se quiser, é claro!

Prof. Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos.

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